Projeto de lei de criptomoedas em Kentucky provoca reação devido a possível backdoor em carteiras
Um projeto de lei sobre criptomoedas proposto em Kentucky desencadeou fortes críticas após introduzir regras que podem alterar o funcionamento das carteiras físicas.
A legislação, conhecida como House Bill 380, inclui disposições que exigiriam que fabricantes de carteiras habilitassem o acesso à recuperação para os usuários.
O Bitcoin Policy Institute alertou que a medida, na prática, força uma “porta dos fundos” em dispositivos projetados para a custódia segura e própria.
Consta que a cláusula controversa foi adicionada por meio de uma emenda de última hora durante o processo legislativo.
De acordo com a Seção 33, os provedores devem ajudar os usuários a redefinir senhas, PINs e até frases-semente vinculadas às suas carteiras.
Essa exigência desafia diretamente o design das carteiras não-custodiais, que são construídas de forma que apenas o usuário controla o acesso.
O projeto de lei é patrocinado pelos representantes estaduais Aaron Thompson e Tom Smith.
Os legisladores também propõem verificações de identidade para indivíduos que solicitarem recuperação de acesso junto aos provedores de carteira.
“O mandato é tecnologicamente impossível para carteiras não-custodiais. Carteiras físicas são especificamente projetadas para que ninguém, incluindo o fabricante, possa acessar ou recuperar a frase-semente do usuário,”
disse o Bitcoin Policy Institute.
Especialistas do setor argumentam que forçar mecanismos de recuperação prejudica o princípio central da posse da chave privada.
Críticos afirmam que tais medidas podem empurrar os usuários para custodiantes centralizados, que apresentam riscos de hacks e insolvência.
O debate destaca uma tensão mais ampla entre regulação e o design fundamental das criptomoedas.
Apoiadores da custódia própria enfatizam que a capacidade de controlar os próprios ativos sem intermediários permanece como uma proposta de valor essencial.
Autoridades da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) também se pronunciaram sobre a questão do controle do usuário.
O Presidente da SEC, Paul Atkins, expressou apoio à permissão para que indivíduos gerenciem seus próprios ativos digitais.
Ele observou que intermediários podem introduzir custos adicionais e riscos operacionais para os usuários.
Em 2025, a Comissária da SEC, Hester Peirce, reforçou a importância da autonomia financeira no mercado cripto.
“Por que eu deveria ser obrigado a recorrer a outra pessoa para armazenar meus ativos?”
disse Hester Peirce.
“Me surpreende que neste país, que é tão baseado na liberdade, isso sequer seja uma questão — é claro que as pessoas podem manter seus próprios ativos.”
A legislação proposta em Kentucky agora enfrenta um crescente escrutínio de grupos do setor e de legisladores.
Observadores alertam que o resultado pode influenciar como outras jurisdições abordarão a regulação cripto.
À medida que as discussões avançam, o equilíbrio entre proteção ao consumidor e controle descentralizado permanece no centro do debate.
No momento da reportagem, o preço do Bitcoin era $70.234,22.
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