O yuan saltou para 6,91 por dólar, seu nível mais forte desde maio de 2023. Isso marca sete meses consecutivos de ganhos, a sequência mais longa desde 2020–2021.
Desde o início de 2025, o yuan subiu 5%, tornando-se a terceira moeda asiática com melhor desempenho desde setembro. E isso não é por acaso. As autoridades financeiras da China estão por trás disso, pressionando os bancos a reduzirem a compra de Treasuries dos EUA e diminuírem a exposição caso já estejam muito carregados. Essa retração repentina na demanda por dólares está impulsionando a valorização.
Ao mesmo tempo, o dólar está enfraquecendo, facilitando o destaque do yuan. O Bloomberg Dollar Spot Index caiu 1,7% este ano, após despencar 8% em 2025. Esse foi o pior desempenho anual do dólar desde 2017. Os traders esperam que essa tendência continue, especialmente se o Federal Reserve cortar os juros mais do que o mercado está precificando.
Cortes de juros pelo Fed e pressão de Trump pesam sobre o dólar
Segundo o estrategista da State Street, Lee Ferridge, o dólar pode perder mais 10% este ano se o Fed adotar uma postura mais agressiva. Ele afirma que um terceiro corte de juros em 2026 é “possível”, não apenas por causa dos dados econômicos, mas também pela pressão que o presidente Donald Trump pode exercer sobre quem substituir Jerome Powell como presidente do Fed.
Ferridge disse a repórteres na conferência TradeTech FX em Miami: “Dois cortes é um cenário-base razoável, mas temos que aceitar que estamos entrando em um período mais incerto da política do Fed.” Ele também afirmou que, se Trump pressionar por empréstimos mais baratos, isso pode acelerar ainda mais a fraqueza do dólar.
O primeiro corte é esperado por volta de junho, com a maioria dos traders apostando em duas reduções de 0,25 ponto percentual até o final de 2026. Mas, se o novo presidente do Fed ceder à pressão da Casa Branca, um terceiro corte pode entrar em cena. Além disso, Ferridge acrescentou que cortes mais profundos reduzem o custo de hedge para estrangeiros que investem nos EUA, o que prejudicaria ainda mais o dólar à medida que esses investidores buscam proteção agressivamente.
Ferridge destacou que o dólar pode ter uma breve recuperação de 2%-3% se os dados dos EUA surpreenderem positivamente. Mas, até agora, o ímpeto segue em queda. E, à medida que o dólar recua, o yuan continua ganhando terreno.
Pequim reprime o setor cripto para proteger o yuan
A China não está apenas pressionando os bancos nos bastidores. Os reguladores acabaram de proibir stablecoins atreladas ao yuan e ativos tokenizados ponderados por risco não aprovados, tanto domésticos quanto estrangeiros. No dia 6 de fevereiro, o Banco Popular da China, junto com várias agências, emitiu um comunicado alertando que esses produtos cripto podem ameaçar a estabilidade do yuan se não forem regulamentados.
A proibição inclui uma restrição total a empresas que utilizem termos como “stablecoin”, “RWA” ou “criptomoeda” em seus nomes ou escopos de atuação. O objetivo é promover a adoção do e-CNY, a moeda digital estatal do banco central da China que está em desenvolvimento há anos. O documento classificou a medida como uma resposta a “novas circunstâncias e novos desafios”.
Há também uma camada internacional nessa estratégia. O Reino Unido se tornou o primeiro país estrangeiro a sediar dois bancos chineses de compensação em yuan.
No dia 29 de janeiro, durante a visita do primeiro-ministro britânico Keir Starmer a Pequim, o banco central da China aprovou a filial londrina do Bank of China como um novo centro de compensação. Isso impulsiona a negociação de yuan offshore na Europa, tornando Londres um elo importante na rede global de moedas da China.

